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31
OUT
2019

Em Salesópolis, população pesca, nada e até bebe água do rio Tietê

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Na última reportagem da série ‘Às margens de um sonho’, a CBN viajou até a nascente do Tietê, em Salesópolis, a 150 quilômetros da capital paulista. Lá, os moradores têm uma relação bem diferente com o rio, que é usado para turismo, lazer, pesca e até consumo humano. O repórter Talis Mauricio visitou o Parque Nascentes do Tietê, bebeu a água na fonte e nos conta na reportagem como foi a experiência.

Visitante bebe água na nascente do rio Tietê, em Salesópolis, no interior de São Paulo (Crédito: Talis Mauricio/CBN)

Visitante bebe água na nascente do rio Tietê, em Salesópolis, no interior de São Paulo

Crédito: Talis Mauricio/CBN

POR TALIS MAURÍCIO (talis.mauricio@cbn.com.br)

“Nós estamos aqui, diante da nascente do rio Tietê. Nosso Tietê nasce aqui em Salesópolis, no topo da serra do mar, com essa água limpa, cristalina, bonita que você está vendo”.

A fala calma, professoral e apaixonada pelo tema é do geógrafo Gastão Gonçalves, diretor do Parque Nascentes do Tietê, em Salesópolis.

É lá, a cerca de 150 quilômetros da capital paulista, que nasce o rio mais importante do Estado. Seu Gastão recebeu a reportagem da CBN com a mesma disposição que recebe há anos alunos de escolas públicas e privadas e turistas do Brasil e do mundo.

“Olhando atentamente para a água, a gente vê um inseto nadando em cima dela. É a aranha d’água. Depois tem um besourinho igual a uma joaninha, chamado mãe d’água. São os bioindicadores de que a gente poderia tomar essa água in natura, igual aquela água de bica, de vertente que a gente toma”.

O Tietê tem mais de 1.000 quilômetros de extensão e, diferente da maioria dos rios, corre para o interior do país, sentido Mato Grosso do Sul. No caminho recebe diversos afluentes, um dos mais importantes o Pinheiros, encontro que acontece no Complexo do Cebolão (Zona Oeste de SP).

Apesar da água limpa em Salesópolis, o Tietê segue assim somente até Biritiba-Mirim, a 20 quilômetros da nascente. Na cidade seguinte, Mogi das Cruzes, o rio já se encontra completamente poluído e segue morto por Suzano, Guarulhos, São Paulo, Osasco, Barueri… a situação só volta a melhorar a partir de Salto, Conchas e Barra Bonita, onde há navegação, pesca, lazer e atrações turísticas. Consumo humano só acontece na região de Salesópolis e, no outro extremo, em Araçatuba.

“Salesópolis já tem que conviver diretamente com o Tietê, porque a água que é consumida na cidade vem diretamente do rio. Então, o povo de Salesópolis tem uma sintonia com a água desde muito tempo já”, ressalta Gastão.

Enquanto tomávamos a água da nascente do Tietê, encontramos a paulistana Suelli de Oliveira, acompanhada da filha Valentina.

“Boa demais, é uma água leve, fresca, perfeita. Nunca imaginei que ia beber a água do Tietê, realmente é um privilégio. Aqui é totalmente diferente. Em São Paulo é bem sujo e o cheiro é bem ruim”, destacaram mãe e filha.

A relação dos salesópolenses com a água do Tietê vai além do consumo. A população também utiliza para turismo, lazer, pesca… numa consciência ambiental que é passada de geração para geração, como conta o morador local João Passos:

“Tenho um filho com 8 anos, outro com 14, e espero que quando eles estiverem na metade da minha idade que o Tietê esteja limpo. E passando para eles também a importância da preservação, do cuidado. Se cuidar não vai faltar. Se não tiver água, não tem vida”.

Em São Paulo foi difícil encontrar quem acreditasse na promessa do governo de despoluir, em até dez anos, os rios Pinheiros e Tietê. Anos e anos de tentativas frustradas calejaram os paulistanos. Em Salesópolis, que vive outra realidade com o Tietê, o pensamento é diferente.

“Todo o lixo que eu jogo no chão, seja aonde for, o destino é o rio. Então, não só o governo vai fazer a parte dele, como a gente tem que trabalhar a população também. Lixo não é lixo, é matéria prima, dá dinheiro, é só reciclar. É a gente manter a rua limpa, a cidade limpa, a água saudável, água não poluída”, avalia Gastão.

O governo diz que a mancha atual de poluição do Tietê é de 122 quilômetros, entre as cidades de Itaquaquecetuba e Cabreúva – uma redução de 77% desde o início do Projeto Tietê, em 1992.

Já o Pinheiros, cujas nascentes vinham da Serra do Mar, mas foram encobertas pelo represamento da Billings, encontra-se 100% poluído.

 

Fonte: https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/271993/em-salesopolis-populacao-pesca-nada-e-ate-bebe-agu.htm

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